DECISÕES EM CONTEXTO DE RISCO E INCERTEZA
Incerteza e Risco
As decisões de investimento são decisões previsionais sobre situações que se
verificarão no futuro. Relativamente a situações futuras ninguém pode ter a certeza que determinado acontecimento se verificará (Barros, 1995). Sendo o cash-flow previsional do projeto um acontecimento futuro, tanto pode assumir o valor previsto como outro qualquer.
Face à ignorância sobre o qual será efetivamente o resultado futuro do cash-flow, dever-se-á ter em consideração o risco e incerteza associado a ele (Teixeira, 2013).
O risco é descrito como "a possibilidade de perda, levando em conta a variação provável do cash-flow futuro" (Nabais e Nabais, 2004 p.140). Vuković e Mijić (2011) definiram o risco como uma medida de ocorrência de eventos futuros quando a probabilidade for mensurável. De acordo com Soares et al (2015) o risco é à probabilidade de ocorrer ou não uma perda financeira no futuro em montante diferente do esperado.
Marques (2014) apoiou essa visão afirmando que esse risco ocorre quando não se sabe qual o resultado futuro, mas pode-se lhe atribuir probabilidades. Para Abecassis e Cabral (2000) o facto da análise de investimento equacionar no presente aspetos futuros, confronta-se na maioria das vezes, com a incerteza que o carateriza. Já Barros (1995), descreve a incerteza como uma situação em que os eventos futuros não são conhecidos, e não é possível atribuir-lhe probabilidades.
Já Junkesa et al (2015) definem a incerteza como a falta de distribuições de probabilidade objetivas associadas aos eventos futuros incertos. Neste contexto, pode ser apresentada em três grupos genéricos: incerteza quanto aos preços e componentes de investimento, incertezas quanto aos prazos para a implementação do cronograma e incertezas quanto à ocorrência de eventos (Junkesa et al, 2015).
Sob a
perspetiva de Vuković e Kristina (2011)
a incerteza quanto ao retorno do projeto
determina o risco de investimento em projetos
relevantes que deve ser abordado no processo de tomar uma decisão de
investimento. O risco envolvido não só difere substancialmente de projeto para
projeto sendo que quanto maior for o risco, maior é a expectativa de ganhos elevados,
porque os investidores são remunerados pelo risco adicional que assumem nos seus
investimentos (Saias et al 2006).
Segundo
Silva e Queirós (2011) existem diversas técnicas desenvolvidas para o
tratamento do risco e da incerteza na
atualização de projetos como a análise de ensibilidade, a criação de cenários, a análise
de pontos críticos, as árvores de decisão e a simulação de Monte Carlo.
A sua
finalidade visa avaliar as hipóteses alternativas com vista a uma decisão
racional.
Tipos de Risco
Segundo
Soares et al (1999) a análise e avaliação de projetos de investimento depara-
se com dois tipos
essenciais de risco: o risco económico
e o risco financeiro. O risco
económico tem a ver com os
acontecimentos que afectam os resultados operacionais.
Este tipo de risco depende de variáveis associadas à exploração da empresa, onde se podem destacar duas vertentes: comercial (produtos finais e fatores de produção) e tecnológica (inerente à tecnologia escolhida e à eficácia na sua utilização).
Por outro lado, o risco financeiro está associado a problemas de curto prazo (liquidez) ou à degradação da estrutura financeira da empresa no médio e longo prazo (solvabilidade). Está relacionado com a contratação de dívidas que consumam o resultado criado ou que afetem a estrutura financeira da empresa (Soares et al,1999).
Sendo verdadeiro que o risco económico se acabará por refletir, mais cedo ou mais tarde, no risco financeiro, já este pode ter origem em razões exclusivas desta área, associadas a opções erradas de financiamento, apesar da rendibilidade económica da empresa (Soares et al,1999). Neste trabalho de investigação irá ser abordado o risco económico, uma vez que irão ser analisadas variáveis relacionadas com a actividade de exploração da empresa.

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