A Importância do Investimento no Capital Humano na criação de Valor para as Empresas | Investimento

A importância do investimento em Capital Humano na criação de Valor para as Empresas


A competitividade assenta hoje em factores dinâmicos como a inovação, a tecnologia, o conhecimento ou o Capital Intelectual.

Os chamados factores dinâmicos de competitividade encontram-se associados ao conhecimento, o qual, aplicado ao trabalho cria valor. Um dos aspectos mais relevantes destes novos factores de competitividade é a sua mudança cada vez mais rápida, imposta pela intensificação da concorrência à escala mundial.

Num mundo de interdependência global, o sucesso económico não é mais uma
questão de cálculos exactos e rigorosos, envolvendo também parâmetros não quantificáveis. A importância dos elementos não materiais como a formação, a qualidade do serviço ou a capacidade de inovar tornou-se fundamental.

Como referido por Cabrita (2009), os factores de competitividade vigentes na era industrial já não servem na era do conhecimento. O CH concentra-se em duas componentes principais, que são os indivíduos e as organizações. Este conceito tem sido mais que descrito por Garavan et al. (2001), citados por Marimuthu et al. (2009), que lhe atribui quatro atributos-chave: (1) flexibilidade e adaptabilidade; (2)  alorização das competências individuais; (3) o desenvolvimento de competências organizacionais e (4) empregabilidade individual.

Isso mostra que esses atributos potenciam a criação de valor relativa aos resultados individuais e organizacionais. Há inúmeros estudos que apontam para: (i) uma relação entre o CH e o desenvolvimento dos países; e (ii) entre o CH e o sucesso nas organizações.

Relativamente à relação entre o CH e o desenvolvimento dos países temos estudos sobre o desenvolvimento da economia americana e as fontes de crescimento de muitos países do mundo, em que se tornou reconhecido que o CH e as habilitações da população desempenham um papel importante na explicação das diferenças na produtividade e na desigualdade entre as nações (Becker, 1964; Schultz, 1981, referenciados por James Heckman, 2005).

James Heckman (2005) afirma que uma força de trabalho mais educada produz novas ideias e conhecimento e é mais capaz de se adaptar à importação de nova tecnologia. 

Este autor também afirma que o CH melhora a produtividade do capital
físico de alta tecnologia. O mesmo autor concluiu que a taxa de retorno da educação na China não ultrapassa os 40%, uma vez que o acesso à educação está muito condicionado de região para região. Relativamente à relação entre o CH e o sucesso empresarial, a teoria do CH assume que as pessoas tentam receber uma compensação para os seus investimentos em Capital Humano (Becker, 1964, citado por Unger et al., 2009). Assim, os indivíduos procuram maximizar os seus benefícios económicos dado o seu CH. Os argumentos sugerem que, segundo a teoria do CH, o CH leva ao sucesso empresarial.

A literatura sobre o empreendedorismo fornece uma série de argumentos sobre a forma como o CH deve aumentar o sucesso empresarial.

Em primeiro lugar, o CH aumenta a capacidade dos seus proprietários para
realizar as tarefas genéricas da empresa e de descobrir e explorar oportunidades de
negócio (Shane e Venkatraman, 2000, citados por Unger et al., 2009). Por exemplo, os
proprietários de conhecimento aumentam a vigilância empresarial (Westhead et al.,
2005, mencionados por Unger et al., 2009), preparando-os para descobrir oportunidades específicas que não são visíveis para outras pessoas (Shane, 2000; Venkatraman, 1997, referidos por Unger et al., 2009).

Além disso, o CH afecta as abordagens dos proprietários para a exploração de oportunidades (Chandler e Hanks, 1994; Shane, 2000, lembrados por Unger et al., 2009).

Em segundo lugar, o CH é positivamente relacionado com o planeamento e
estratégia de risco, que por sua vez, é positivamente relacionado com o sucesso (Baum
et al., 2001; Frese et al., 2007, indicados por Unger et al., 2009).

Terceiro, o conhecimento é útil para a aquisição de outros recursos úteis, tais
como capital financeiro e físico (Brush et al., 2001, relatados por Unger et al., 2009) e
pode compensar parcialmente a falta de capital financeiro, que é um constrangimento
para muitas empresas empreendedoras (Chandler e Hanks, 1998, citados por Unger et
al., 2009).

Finalmente, o CH é um pré-requisito para a aprendizagem futura e contribui para a acumulação de novos conhecimentos e habilidades (por exemplo, Ackerman e
Humphreys, 1990; Hunter, 1986, mencionados por Unger et al., 2009).
Em resumo, os proprietários com maior CH devem ser mais eficazes e eficientes
na gestão do seu negócio do que os proprietários com menor Capital Humano.


Há outras descobertas que atribuem ao CH como o responsável de maior
desempenho e de uma vantagem competitiva sustentável (Noudhaug, 1998) maior
comprometimento organizacional (Iles et al., 1990); e de reforço da retenção
organizacional (Robertson et al., 1991), apontados por Marimuthu et al. (2009).

Portanto, todos estes debates focam fundamentalmente o desempenho individual e
organizacional. Davenport et al. (2010) dizem que quanto maior for o envolvimento e
compromisso dos colaboradores de uma empresa maior será a produtividade e maiores serão os resultados.

A partir do nível individual, Collis e Montgomery (1995), referidos por Marimuthu et al. (2009), apontam que a importância do CH depende do grau em que este contribui para a criação de uma vantagem competitiva. De um ponto de vista económico, os custos de transacção indicam que as empresas adquirem uma vantagem competitiva quando os seus próprios recursos específicos não podem ser copiados pelos rivais.

Assim, conforme a singularidade de aumentos de CH, a empresa tem incentivos para investir recursos na sua gestão com o objectivo de reduzir os riscos e capitalizar as potencialidades produtivas. Por isso, as pessoas precisam de melhorar as suas competências, a fim de serem competitivas nas organizações. Num estudo realizado por Bontis e Fitz-Enz (2002) observou-se as consequências da gestão do CH e estabeleceu-se a relação entre a gestão do CH e os resultados económicos nas empresas. Neste estudo, foram seleccionadas 25 empresas de serviços financeiros.

O estudo mediu a eficácia do CH, com quatro indicadores: factor receita, factor despesa, factor rendimento e Human capital return on investment (HC ROI).
Os aspectos fundamentais de qualquer organização são o de gerar mais rendimento por empregado.

O CH tem um impacto directo sobre os bens de Capital Intelectual, o que trará
mais resultados financeiros por empregado. O desenvolvimento do CH é influenciado
positivamente pelo nível de escolaridade dos empregados e a sua satisfação total.
Portanto, o desenvolvimento do CH tem um impacto directo sobre o ROI das empresas.

A capacidade para reconhecer, medir e difundir o conhecimento organizacional
constituirá, no futuro, o principal elemento diferenciador do sucesso. Este é um dos
maiores desafios que actualmente se coloca à Contabilidade de acordo com Bandeira
(2010).

Os elementos críticos do diferencial competitivo das empresas assentam, cada vez
mais, em dois pilares: por um lado ser reconhecido pelos clientes como sendo
importante e, por outro lado, o facto de ser difícil de imitar pela concorrência.
As empresas que, pelas suas características únicas, são capazes de combinar e
configurar recursos e capacidades de uma forma distintiva fornecem aos seus clientes
mais valor do que os competidores (Teece et al., 1997, citados por Cabrita, 2009).

Assim, as empresas que possuem recursos intelectuais superiores são capazes de
compreender, melhor do que os seus concorrentes, como explorar, alavancar e configurar recursos e capacidades (Spender e Marr, 2005, lembrados por Cabrita 2009).
Esta perspectiva coloca o assento tónico na aprendizagem. Peter Senge (1993), referido por Cabrita (2009), adverte que a única fonte de vantagem competitiva sustentável será a capacidade da organização aprender mais rápido e melhor do que os seus concorrentes. Dito de outro modo, é necessário compreender a forma como as organizações aprendem, como adquirem e aplicam o seu conhecimento, porque daí parece provir mais-valias em termos do seu desempenho e da sua competitividade.

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