Investimento: O que é Cash-flow de
exploração ?
Para o especialista em gestão financeira Barros (1995) o cash-flow de exploração corresponde ao somatório dos resultados líquidos com os encargos não desembolsáveis.

O Resultado Líquido é o lucro obtido pela empresa, apurado através da diferença entre os gastos e os rendimentos contabilísticos, líquido de impostos.
As amortizações e depreciações são consideradas no cálculo do cash-flow de exploração, isto porque, não correspondem, a fluxos de pagamento ou a uma efectiva saída de dinheiro por parte da empresa, representando uma reserva de capitais oculta que deve ser considerada (Marques, 2014).
As provisões e as imparidades, tal como as depreciações, não representam uma efectiva saída de capitais, logo, também devem ser consideradas no cálculo do cash-flow. Dado que estão deduzidas no cálculo dos resultados, o seu valor deve acrescer ao valor destes (Barros, 1995).
Cash-flow líquido
O cash-flow líquido resulta da comparação entre o cash-flow de exploração com o cash-flow de investimento.

Assim, indica os meios gerados pela atividade de exploração
da empresa, deduzidos
dos investimentos em ativo fixo e fundo de maneio, realizados no âmbito do
projeto. De notar que, não considera a forma de financiamento utilizada.
Isto porque, ao analisar-se a capacidade dos fluxos de caixa para cobrirem o investimento inicial, está-se a pressupor que conseguiriam pagar eventuais dívidas existentes. Para além disso, no que diz respeito aos encargos financeiros, já estão implícitos na taxa de actualização definida, devendo o projecto ser capaz de periodicamente gerar uma remuneração ao encontro das expectativas dos investidores.
Para atualizar os cash-flows e calcular o valor atual líquido (VAL) é necessário definir a taxa de atualização (rendibilidade) apropriada. Existem muitas formas teóricas e práticas de calcular a taxa de atualização de referência a aplicar à análise financeira. De seguida, são abordadas as diferentes metodologias.
Rendibilidade a Exigir
Os fluxos de caixa previsionais representam séries anuais de pagamentos e recebimentos, espalhados ao longo do projeto, como resultado do investimento efetuado.
Como o valor do capital é relativo ao longo do tempo, derivado da evolução das taxas de inflação e de juro, os fluxos de caixa dos diversos anos previsionais não são comparáveis com o valor do investimento inicial (Teixeira, 2013).
De acordo com o mesmo autor, atualizamos o valor ao momento inicial do investimento, de modo a verificarmos se conseguem gerar a rendibilidade exigida e, se de acordo com os padrões monetários existentes, aquando do momento da criação do negócio, conseguem cobrir o investimento realizado.
Segundo Megre (2013) a
rendibilidade a exigir, normalmente designada por taxa de
atualização é um fator muito importante na verificação da capacidade de criação
de valor do projeto. Para além disso, a determinação das taxas de atualização
deve ter em conta o risco associado ao investimento.
Por exemplo, as taxas de atualização devem ser superiores à taxa de juro, no caso da empresa recorrer a empréstimos, e às taxas de rendibilidade de alternativas de aplicação dos seus capitais. Assim, exprimem o custo de oportunidade do capital, ou seja, o rendimento que o investidor pretende, tendo em conta o risco do investimento.
Nesse sentido a taxa de atualização deve ser idêntica à melhor remuneração que os investidores esperam receber em outra qualquer aplicação alternativa de capital, dado o custo do capital e o risco associado ao investimento, isto é, de incerteza face aos futuros resultados (Soares et al 1999).
Segundo Teixeira (2013), existem quatro métodos para definir a taxa de atualização:
➢ Ajustamento das taxas de juro das obrigações do tesouro de médio e longo prazo Taxa de Atualização ( ) = [(1 + 𝑇1) ∗ (1 + 𝑇2 ) ∗ ( 1 + 𝑇3 )] – 1
T1 – Taxa de Remuneração sem risco como é o exemplo das obrigações do tesouro, que pretende compensar os investidores que são avessos aos riscos.
T2 – Prémio Anual de Risco definido com base no risco e a incerteza associados ao investimento e representa a parte adicional relativamente um investimento seguro.
O prémio de risco de mercado é obtido pela diferença entre a taxa de
rendimento proporcionada pelo mercado e a que é proporcionada pelos investimentos
sem risco.
T3 – Taxa Anual de Inflação (apenas é utilizada quando os cash-flows a atualizar estão a preços correntes) que existe para repor/manter o poder de compra do investidor no final do investimento, o que na prática significa que ele deverá poder adquirir os bens que normalmente, e em média, consome atualmente.
➢ Prémio de risco sobre as taxas de financiamento negociadas segundo Damodaram (2016), o mercado português detém um prémio de risco de 4,86%. Este método é muito utilizado pelos empresários para definir as rendibilidades a exigir ao negócio.
➢ ROI médio do setor de atividade, esta rendibilidade, representa a remuneração que os negócios de empresas semelhantes do mesmo setor, estão a gerar para os investidores e, por isso, pode servir de referência para a taxa de atualização a considerar no projeto.
Pode ser obtida na central de balanços do Banco de Portugal.
➢ WACC - weight average cost of capital, que em português é designado por custo médio ponderado do capital. A sua forma de cálculo é a seguinte

Legenda:
CP-» Capital Próprio; A-» Ativo
Liquido; Ke-» Custo do Capital Próprio;
P-» Passivo; Kd-» Custo do Capital Alheio; t-» Taxa efetiva de imposto sobre o rendimento.
O WACC é constituído pela soma dos custos dos capitais próprios e dos passivos, devidamente ponderados pelo seu peso no financiamento do ativo liquido. Deste modo, pretende-se que os gestores tenham em atenção as fontes de financiamento mais baratas, tornando menor o custo do capital necessário para financiar a atividade.
Assim, ao diminuírem o valor do WACC contribuem igualmente para a criação de valor porque, reduzem o custo do investimento e em simultâneo aumentam o valor dos excedentes financeiros criados (Teixeira et al. 2013).
Como já foi dito, os critérios que se fundamentam na técnica da atualização financeira, a qual tem como parâmetro de base os cash-flows a libertar pelos investimentos, representam uma mais-valia na avaliação da rendibilidade de projetos dado que consideram o valor temporal do dinheiro e o custo de oportunidade do capital.
Daí, que é importante oportuno abordar tais critérios a saber: VAL (Valor Atual Líquido), TIR (Taxa Interna de Retorno) o IRP (Índice de Rendibilidade de um Projeto) e o PRI (prazo de retorno do investimento inicial).
Em gesto de conclusão em gestão financeira de seguida é feita uma caraterização de cada critério referido.

Enviar um comentário