Mercado Financeiro: Como escolher entre o VAL e a TIR
O VAL e a TIR são considerados, pela generalidade dos autores, os principais critérios de avaliação de investimentos (Teixeira, 2013).
O VAL determina o quanto que o projeto vai aumentar o valor da empresa. E a TIR (Taxa Interna de Rendibilidade) visa determinar a remuneração máxima que o projeto pode gerar sem colocar em causa a cobertura do investimento. O projeto torna-se interessante quando a TIR for maior que o custo de capital pretendido (Teixeira, 2013).
Nalgumas situações, estes métodos originam resultados discrepantes quanto à decisão de aceitar ou não o projeto em causa (Silva,1999). Como decidir? Em virtude de o VAL evidenciar o valor financeiro que o projeto gera, enquanto a TIR apenas nos dá uma rendibilidade (e uma rendibilidade de nada, é nada) deverá ser dada prioridade ao primeiro indicador, uma vez que, nos mostra o valor real da riqueza que irá ser criada com a realização do investimento.
Um projeto
com TIR superior a taxa de atualização, mostra que o projeto é criador de riqueza em termos percentuais para os
investidores, mas não diz o quanto; já um projeto com VAL positivo, mostra que
o projeto é criador de riqueza para os investidores e assim evidencia o valor
monetário criado. Desta maneira o método
do VAL está alinhado com o conceito de criação de valor para o investidor.
DECISÕES EM CONTEXTO DE RISCO E INCERTEZA
Incerteza e Risco
As decisões de investimento são decisões
previsionais sobre situações que se
verificarão no futuro. Relativamente a
situações futuras ninguém pode ter a certeza que determinado acontecimento se
verificará (Barros, 1995). Sendo o cash-flow previsional do projeto um
acontecimento futuro, tanto pode assumir o valor previsto como outro qualquer.
Face à ignorância sobre o qual será efetivamente o resultado futuro do cash-flow, dever-se-á ter em consideração o risco e incerteza associado a ele (Teixeira, 2013).
O risco é descrito como "a possibilidade de perda, levando em conta a variação provável do cash-flow futuro" (Nabais e Nabais, 2004 p.140). Vuković e Mijić (2011) definiram o risco como uma medida de ocorrência de eventos futuros quando a probabilidade for mensurável. De acordo com Soares et al (2015) o risco é à probabilidade de ocorrer ou não uma perda financeira no futuro em montante diferente do esperado.
Marques (2014) apoiou essa visão afirmando que esse risco ocorre quando não se sabe qual o resultado futuro, mas pode-se lhe atribuir probabilidades. Para Abecassis e Cabral (2000) o facto da análise de investimento equacionar no presente aspetos futuros, confronta-se na maioria das vezes, com a incerteza que o carateriza.
Já Barros (1995), descreve a incerteza como uma situação em que os eventos futuros não são conhecidos, e não é possível atribuir-lhe probabilidades. Já Junkesa et al (2015) definem a incerteza como a falta de distribuições de probabilidade objetivas associadas aos eventos futuros incertos.
Neste contexto, pode ser apresentada em três grupos genéricos: incerteza quanto aos preços e componentes de investimento, incertezas quanto aos prazos para a implementação do cronograma e incertezas quanto à ocorrência de eventos (Junkesa et al, 2015). Sob a perspetiva de Vuković e Kristina (2011) a incerteza quanto ao retorno do projecto determina o risco de investimento em projetos relevantes que deve ser abordado no processo de tomar uma decisão de investimento.
O risco envolvido não só difere substancialmente de projeto para projeto sendo que quanto maior for o risco, maior é a expectativa de ganhos elevados, porque os investidores são remunerados pelo risco adicional que assumem nos seus investimentos (Saias et al 2006).
Segundo Silva e Queirós (2011) existem diversas técnicas desenvolvidas para o tratamento do risco e da incerteza na atualização de projetos como a análise de sensibilidade, a criação de cenários, a análise de pontos críticos, as árvores de decisão e a simulação de Monte Carlo. A sua finalidade visa avaliar as hipóteses alternativas com vista a uma decisão racional.
Enviar um comentário